Ao longo deste conteúdo, você vai descobrir o que são as PANCs, por que elas estão retornando à cozinha brasileira e como essas plantas alimentícias não convencionais podem fazer parte do dia a dia.
Durante muito tempo, diversas plantas presentes em quintais, hortas e jardins brasileiros foram deixadas de lado na alimentação cotidiana. Algumas passaram a ser vistas apenas como “mato”, enquanto outras sobreviveram silenciosamente nos saberes populares e nas cozinhas tradicionais.
Hoje, muitas dessas plantas voltam a despertar interesse — não apenas pela beleza e diversidade, mas também pela relação que mantêm com a natureza, a biodiversidade e a alimentação mais consciente.
🌿 Este artigo inaugura a série Plantas que Nutrem, do Benverde, um espaço dedicado às plantas alimentícias, aos sabores naturais e à reconexão entre comida, cultura e natureza.
O que são as PANCs?
A sigla PANC significa:
Plantas Alimentícias Não Convencionais
O termo foi popularizado no Brasil pelo pesquisador Valdely Kinupp e se refere a plantas com potencial alimentício que não fazem parte do consumo cotidiano da maioria das pessoas.
Isso não significa que sejam raras ou exóticas. Muitas PANCs:
- crescem espontaneamente;
- aparecem em quintais;
- fazem parte de tradições regionais;
- são cultivadas em hortas domésticas;
- já foram amplamente utilizadas no passado.
O que é considerado “não convencional” pode mudar de acordo com:
- a cultura;
- a região;
- os hábitos alimentares;
- a tradição familiar.
🌱 Em outras palavras: muitas PANCs sempre estiveram perto de nós — apenas deixaram de ocupar espaço nas cozinhas modernas.
Por que as PANCs estão voltando à cozinha brasileira?
Depois de entender o que são as PANCs, fica mais fácil compreender por que essas plantas passaram a despertar tanto interesse.
Nos últimos anos, as PANCs passaram a ganhar destaque em:
- hortas urbanas;
- feiras orgânicas;
- cozinhas naturais;
- restaurantes;
- projetos ligados à sustentabilidade e biodiversidade.
Esse movimento está relacionado a diferentes fatores:
- interesse crescente por alimentação natural;
- valorização da biodiversidade brasileira;
- busca por ingredientes frescos;
- reconexão com tradições culinárias;
- incentivo ao cultivo doméstico.
Além disso, muitas pessoas começaram a perceber que a alimentação também pode representar:
🌿 cultura
🌿 memória
🌿 território
🌿 cuidado
🌿 relação com a natureza
As PANCs carregam justamente essa sensação de descoberta e reconexão.

Exemplos de PANCs brasileiras
O universo das plantas alimentícias não convencionais é extremamente diverso. Algumas espécies já começam a se tornar mais conhecidas do público brasileiro.
Muitas pessoas que pesquisam o que são as PANCs acabam descobrindo que várias dessas plantas já fazem parte da cultura alimentar brasileira há gerações.
Entre as PANCs mais populares estão:
| Planta | Uso tradicional |
|---|---|
| Ora-pro-nóbis | Refogados, massas e recheios |
| Taioba | Refogados e preparações quentes |
| Capuchinha | Saladas e flores comestíveis |
| Hibisco | Chás, geleias e infusões |
| Peixinho-da-horta | Preparações empanadas |
| Bertalha | Refogados e pratos caseiros |
Muitas dessas plantas unem:
- sabor;
- valor cultural;
- rusticidade;
- fácil cultivo;
- beleza ornamental.
🌿 Algumas também aparecem em tradições culinárias regionais transmitidas entre gerações.

Como começar a usar PANCs no dia a dia
Ao contrário do que muita gente imagina, as PANCs podem ser incorporadas de maneira simples à alimentação cotidiana.
Algumas possibilidades incluem:
- saladas frescas;
- refogados;
- omeletes;
- massas;
- sopas;
- chás;
- flores comestíveis;
- sucos naturais.
O ideal é começar aos poucos, conhecendo:
- o sabor;
- a textura;
- as formas tradicionais de preparo;
- as características de cada planta.
🍃 O mais importante não é transformar completamente a alimentação, mas abrir espaço para experimentar novos ingredientes vindos da natureza.
O que pesquisadores e instituições destacam sobre as PANCs
Nos últimos anos, as PANCs passaram a despertar interesse não apenas na culinária natural, mas também em pesquisas ligadas à biodiversidade, alimentação e sustentabilidade.
Estudos destacam que o Brasil possui uma enorme diversidade de plantas alimentícias ainda pouco exploradas na alimentação cotidiana, muitas delas preservadas por comunidades tradicionais, agricultores familiares e saberes regionais.
Além da valorização cultural e gastronômica, pesquisadores também apontam que as PANCs podem contribuir para a diversificação alimentar e para o fortalecimento da biodiversidade agrícola brasileira.
O próprio conceito de PANC foi desenvolvido pelo pesquisador Valdely Kinupp, referência no estudo das plantas alimentícias não convencionais no Brasil. Desde então, o tema vem ganhando espaço em hortas urbanas, projetos de educação alimentar, gastronomia natural e iniciativas ligadas à alimentação consciente.
Leituras e referências confiáveis
Cuidados importantes antes de consumir PANCs
Apesar do crescente interesse pelas PANCs, é fundamental lembrar que a identificação correta das plantas é essencial.
Nem toda planta é comestível, e algumas espécies podem exigir:
- preparo adequado;
- cozimento específico;
- consumo moderado;
- orientação especializada.
Por isso:
✅ evite consumir plantas sem identificação segura;
✅ busque fontes confiáveis;
✅ respeite os usos tradicionais e as orientações de preparo.
🌿 O uso consciente das plantas começa pelo conhecimento e pelo cuidado.
PANCs e os saberes tradicionais
Muito antes de se tornarem tendência, diversas PANCs já faziam parte da alimentação de:
- comunidades rurais;
- povos tradicionais;
- agricultores familiares;
- cozinhas regionais brasileiras.
Em muitos casos, essas plantas permaneceram vivas graças à transmissão de conhecimentos entre gerações.
Quintais, hortas domésticas e receitas familiares ajudaram a preservar ingredientes que hoje voltam a despertar interesse na alimentação natural contemporânea.
🌱 Redescobrir o que são as PANCs também significa valorizar memórias, territórios e saberes que atravessam o tempo.
Perguntas frequentes sobre PANCs
O que significa PANC?
PANC é a sigla para Plantas Alimentícias Não Convencionais, termo utilizado para plantas com potencial alimentício pouco presentes na alimentação cotidiana.
Toda PANC é comestível?
As PANCs possuem potencial alimentício, mas é essencial realizar identificação correta e conhecer as formas adequadas de preparo antes do consumo.
Quais são as PANCs mais conhecidas?
Entre as mais populares estão ora-pro-nóbis, taioba, hibisco, capuchinha, bertalha e peixinho-da-horta.
Dá para cultivar PANCs em casa?
Sim. Muitas PANCs podem ser cultivadas em hortas domésticas, jardins e pequenos espaços com relativa facilidade.
Afinal, o que são as PANCs?
As PANCs são plantas alimentícias não convencionais, ou seja, espécies com potencial alimentício que ainda aparecem pouco na alimentação cotidiana da maioria das pessoas.
Conclusão
Talvez as PANCs nunca tenham desaparecido completamente.
Agora que você descobriu o que são as PANCs, talvez fique mais fácil perceber quantas dessas plantas sempre estiveram presentes ao nosso redor.
Elas continuaram crescendo em quintais, hortas e jardins, preservadas pelos saberes populares, pela agricultura familiar e pelas cozinhas tradicionais brasileiras.
Agora, essas plantas voltam a despertar curiosidade não apenas como alimento, mas como símbolo de uma relação mais próxima entre natureza, cultura e alimentação consciente.
🌿 Redescobrir as PANCs também pode ser uma forma de olhar novamente para aquilo que sempre esteve ao nosso redor — e perceber que a natureza ainda guarda muitos sabores, histórias e possibilidades.
Continue explorando a série Plantas que Nutrem
🌿 Plantas que Nutrem
Em breve no Benverde:
- • Ora-pro-nóbis na alimentação
- • Taioba: cuidados e formas de preparo
- • Flores comestíveis no dia a dia
- • Receitas naturais com PANCs
- • Hortas e quintais alimentares
Descubra sabores, histórias e saberes que aproximam natureza e alimentação consciente.
Criadora do Benverde, compartilho conteúdos sobre plantas medicinais, chás e vida natural com base em saberes tradicionais, observação prática e uso consciente. Acredito em um olhar sensível, responsável e conectado à natureza.
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