O chá de gengibre é uma das preparações mais conhecidas feitas com Zingiber officinale, espécie utilizada há séculos tanto como alimento quanto em práticas tradicionais de diferentes regiões do mundo.
Apesar de ser popularmente chamado de “raiz de gengibre”, a parte utilizada é, botanicamente, o rizoma — o caule subterrâneo da planta. É nele que se concentram compostos responsáveis pelo aroma intenso, pelo sabor picante e por boa parte do interesse científico em torno da espécie.
O gengibre possui uma longa história de uso relacionada principalmente a desconfortos digestivos, náuseas e outras situações específicas, e algumas dessas aplicações vêm sendo investigadas em estudos clínicos. Isso, porém, não significa que todos os efeitos atribuídos popularmente à planta estejam igualmente comprovados ou que qualquer preparação de gengibre produza os mesmos resultados.
Também é importante distinguir o chá preparado com o rizoma de extratos, cápsulas, pós concentrados e outros produtos utilizados em pesquisas, pois dose e composição podem variar consideravelmente.
Neste artigo, você vai aprender como preparar o chá de gengibre, conhecer seus principais usos tradicionais, entender o que a ciência já investigou e conferir os cuidados necessários para utilizá-lo de maneira consciente.
Resumo rápido do chá de gengibre
Zingiber officinale
Gengibre
Chás Terapêuticos
Rizoma
Picante, quente e marcante
Intenso, fresco e especiado
Amarelo-claro a dourado
Preparação aquosa do rizoma
Uso relacionado principalmente a desconfortos digestivos e náuseas
A planta e sua origem

O gengibre, Zingiber officinale, pertence à família Zingiberaceae e é uma planta perene que se desenvolve a partir de um rizoma subterrâneo espesso e ramificado: a parte popularmente chamada de “raiz de gengibre”.
Segundo o Plants of the World Online, do Royal Botanic Gardens, Kew, a espécie tem distribuição nativa registrada do Himalaia oriental ao centro-sul da China e atualmente é cultivada em numerosas regiões tropicais e subtropicais do mundo. Plants of the World Online
É justamente o rizoma que concentra o aroma marcante e o sabor picante característicos da planta, além de ser a parte utilizada na culinária e em diferentes preparações tradicionais.
O gengibre possui uma história antiga como especiaria e planta medicinal na Ásia. Com o comércio de especiarias, tornou-se também conhecido no Mediterrâneo: o Kew registra que gregos e romanos já utilizavam gengibre, obtido através de comerciantes árabes, e que ele esteve entre as primeiras especiarias orientais a chegar à Europa. Jardins Botânicos Reais de Kew
Ao longo do tempo, o gengibre passou a ocupar simultaneamente três espaços: alimento, especiaria e planta medicinal — uma combinação que ajuda a explicar por que seu uso permaneceu tão difundido até hoje.
Usos tradicionais do gengibre ao longo do tempo
O Zingiber officinale possui uma longa história de uso como alimento, especiaria e planta medicinal. Ao longo do tempo, seu rizoma passou a integrar diferentes preparações tradicionais relacionadas principalmente ao sistema digestivo, às náuseas e a sintomas de indisposição.
A monografia da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) registra usos tradicionais do rizoma de gengibre para o alívio sintomático de desconfortos gastrointestinais leves e espasmódicos, incluindo distensão abdominal e flatulência, além de perda temporária de apetite, sintomas do resfriado comum e enjoo de movimento. European Medicines Agency (EMA)
O gengibre também aparece historicamente associado à ideia de “aquecer” o corpo, expressão comum em diferentes tradições. Parte dessa percepção pode estar relacionada ao sabor picante e à sensação de calor provocada pelo rizoma, mas esse uso cultural não deve ser confundido com uma indicação terapêutica específica.
É importante ainda fazer uma distinção: os documentos oficiais e muitos estudos científicos avaliam preparações do rizoma em pó, tinturas, extratos ou suplementos, e não necessariamente o chá doméstico. Portanto, uma indicação atribuída ao gengibre como planta medicinal não pode ser automaticamente transferida para qualquer infusão ou decocção preparada em casa. European Medicines Agency (EMA)
No caso do chá de gengibre, o mais correto é reconhecer sua tradição de uso, principalmente em situações relacionadas ao conforto digestivo e às náuseas, e analisar separadamente o que já foi demonstrado em estudos clínicos.

Como preparar o chá de gengibre
O chá de gengibre é preparado com o rizoma de Zingiber officinale. Para uma preparação mais padronizada, é preferível utilizar rizoma seco pesado em gramas, em vez de fatias, colheres ou pedaços estimados “a olho”.
Referência de preparo
- 0,5 a 1 g de rizoma seco de gengibre
- 150 mL de água
Modo de preparo
- Aqueça 150 mL de água até próximo da fervura.
- Coloque o rizoma seco em uma xícara ou recipiente apropriado.
- Despeje a água quente sobre o gengibre.
- Tampe e deixe em contato com a água por cerca de 5 minutos.
- Coe antes de consumir.
Essa proporção aparece em uma formulação oficial anterior da Anvisa para Zingiber officinale, preparada por infusão.
E o gengibre fresco?
O rizoma fresco é muito utilizado na culinária e em preparações domésticas, mas seu teor de água é diferente do material seco. Por isso, não é correto transformar automaticamente 0,5 ou 1 g de gengibre seco em “uma ou duas fatias” de gengibre fresco.
Tradições de uso em diferentes culturas
O gengibre possui uma longa história de utilização em diferentes sistemas tradicionais de cuidado, mas cada um deles interpreta a planta a partir de conceitos próprios de sua cultura.
Na medicina tradicional chinesa, o gengibre fresco e o gengibre seco são considerados matérias medicinais diferentes. Revisões sobre Zingiber officinale mostram que ambos possuem longa história de uso, especialmente em preparações relacionadas ao sistema digestivo e a sintomas como náuseas e desconfortos gastrointestinais. PubMed
Dentro da linguagem tradicional chinesa, o gengibre costuma ser descrito como uma planta de natureza “quente”. Esse termo pertence ao sistema conceitual da medicina chinesa e não deve ser interpretado como uma descrição biomédica da temperatura corporal.
Na medicina ayurvédica, o gengibre também ocupa um lugar antigo como alimento e planta medicinal, especialmente em preparações relacionadas à digestão. Conceitos como agni — frequentemente traduzido como “fogo digestivo” — fazem parte da teoria tradicional ayurvédica e não correspondem diretamente a uma medida fisiológica utilizada pela medicina moderna. Revisões científicas confirmam a presença histórica do gengibre tanto na medicina ayurvédica quanto em outros sistemas tradicionais asiáticos. PubMed
O gengibre também atravessou fronteiras culturais como ingrediente de bebidas e alimentos. No leste da África, por exemplo, o chá com leite tornou-se parte importante dos hábitos cotidianos, e versões condimentadas podem incluir gengibre. Esse uso, porém, pertence sobretudo à história alimentar e cultural, e não deve ser apresentado como evidência de efeito medicinal. FAOHome
O ponto em comum entre essas tradições não é uma comprovação científica única, mas o fato de o gengibre ter sido repetidamente incorporado à alimentação e às práticas de cuidado de diferentes sociedades. Hoje, esses usos históricos podem ser estudados pela ciência, sem que os conceitos tradicionais precisem ser tratados como equivalentes às explicações fisiológicas modernas.
O que a ciência diz sobre o gengibre?
O Zingiber officinale é uma das plantas medicinais mais investigadas em estudos com seres humanos, especialmente em relação a náuseas, vômitos e sintomas gastrointestinais.
Isso não significa, porém, que todos os resultados possam ser atribuídos ao chá de gengibre. Grande parte das pesquisas utiliza rizoma em pó, cápsulas, suplementos ou extratos padronizados, preparados com doses conhecidas e composição diferente de uma bebida feita em casa. O National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH) destaca justamente que a maioria dos estudos sobre náuseas utilizou suplementos, e não alimentos ou chá. NCCIH
Por isso, ao interpretar a ciência do gengibre, uma distinção é fundamental:
rizoma de gengibre ≠ pó em cápsula ≠ extrato padronizado ≠ chá.
Náuseas e vômitos: onde está a evidência mais consistente
Entre as aplicações estudadas, náuseas e vômitos concentram uma parte importante da literatura clínica sobre gengibre.
Uma revisão abrangente publicada em 2024 analisou revisões sistemáticas e metanálises sobre o uso de gengibre para diferentes tipos de náuseas e vômitos. Os resultados variaram conforme a causa e a preparação utilizada, mostrando que não existe uma única conclusão aplicável a todas as situações. PubMed
Náuseas durante a gravidez
É nessa área que aparecem alguns dos resultados mais consistentes.
Uma revisão publicada em 2024 reuniu sete metanálises, que incluíam 22 estudos independentes sobre náuseas e vômitos na gravidez. A maioria das metanálises encontrou redução da náusea com gengibre ou resultados semelhantes aos de tratamentos comparadores. Os próprios autores, entretanto, classificaram a qualidade das revisões como baixa ou criticamente baixa e observaram grande heterogeneidade entre os estudos. PubMed
Uma revisão sistemática anterior, com 12 ensaios clínicos e 1.278 gestantes, também encontrou melhora da náusea em comparação ao placebo, mas não demonstrou redução estatisticamente significativa dos episódios de vômito. PubMed
O NCCIH resume a evidência dizendo que o gengibre pode ser útil para náuseas e vômitos relacionados à gravidez, mas ressalta que a segurança durante a gestação não é uma questão para automedicação com suplementos. NCCIH
Para este post, há um detalhe essencial: esses estudos utilizaram diferentes formas de gengibre, frequentemente pó, cápsulas ou suplementos. Portanto, não podemos transformar os resultados em uma afirmação como “chá de gengibre combate enjoo na gravidez”.
E o enjoo de movimento?
Aqui a história é mais complexa.
A monografia europeia atualizada do rizoma de gengibre considera o rizoma em pó como uma preparação de uso medicinal bem estabelecido para prevenção de náuseas e vômitos associados ao enjoo de movimento. A mesma monografia registra outras preparações como usos tradicionais. European Medicines Agency (EMA)
Por outro lado, o NCCIH observa que a maioria dos estudos sobre gengibre para enjoo de movimento não demonstrou benefício claro.
Essa aparente diferença mostra por que é importante observar quais estudos e quais preparações cada instituição considerou. O mais prudente é não apresentar o chá doméstico como tratamento comprovado para enjoo de viagem.
O gengibre também foi estudado para digestão
Há pesquisas interessantes sobre motilidade gástrica e desconfortos digestivos.
Em um pequeno ensaio randomizado com 11 pessoas com dispepsia funcional, 1,2 g de gengibre em cápsulas acelerou o esvaziamento gástrico em comparação ao placebo, embora isso não tenha se traduzido necessariamente em melhora de todos os sintomas avaliados. PubMed
Estudos mais recentes também investigaram extratos. Em um ensaio clínico multicêntrico publicado em 2025, 80 participantes com dispepsia funcional leve a moderada receberam um extrato específico de gengibre ou placebo por 12 semanas. O grupo que recebeu o extrato apresentou melhora em vários escores gastrointestinais. Novamente, porém, tratava-se de um extrato padronizado, e não de chá. PubMed
A EMA também reconhece, como uso tradicional, preparações do rizoma para desconfortos gastrointestinais leves e espasmódicos, incluindo distensão e flatulência. European Medicines Agency (EMA)
E as cólicas menstruais?
Outra área bastante pesquisada é a dismenorreia primária, a cólica menstrual sem doença pélvica identificada.
Uma metanálise publicada em 2024 reuniu 12 estudos na análise quantitativa e encontrou redução da intensidade e da duração da dor com gengibre em comparação ao placebo. Os autores, porém, destacaram heterogeneidade elevada entre os estudos e relato insuficiente de dados de segurança. PubMed
Esse resultado é interessante para compreender o potencial farmacológico do gengibre, mas novamente não significa que uma xícara de chá tenha sido comprovada como equivalente às doses orais estudadas.
E na quimioterapia?
O gengibre também vem sendo estudado como complemento, e não substituto, dos medicamentos antieméticos utilizados durante quimioterapia.
Uma revisão sistemática e metanálise recente encontrou resultados favoráveis principalmente para algumas formas de suplementação de gengibre utilizadas junto aos antieméticos convencionais, mas os autores ressaltaram a necessidade de ensaios clínicos mais rigorosos. PubMed
O NCCIH considera que ainda existe incerteza sobre a utilidade do gengibre como complemento no controle de náuseas e vômitos associados à quimioterapia. NCCIH
Portanto, esse tipo de uso não deve ser extrapolado para automedicação com chá.
Então o chá de gengibre tem benefícios comprovados?
Essa pergunta precisa de uma resposta cuidadosa.
Há evidência clínica de que determinadas preparações de gengibre, em doses específicas, podem ser úteis em algumas situações, principalmente náuseas relacionadas à gravidez e, em certos estudos, sintomas digestivos e cólicas menstruais.
Mas os estudos raramente investigam exatamente a preparação que chamamos no cotidiano de chá de gengibre.
Por isso, para a infusão apresentada neste artigo, o mais correto é dizer que ela pertence a uma longa tradição de uso do rizoma e que existe pesquisa clínica relevante com gengibre — sem transformar evidência obtida com cápsulas, pó ou extratos em efeito comprovado da xícara.
Essa diferença não diminui o interesse científico da planta. Pelo contrário: ajuda a entender com mais precisão o que já sabemos, qual preparação foi estudada e onde ainda existem lacunas.
Cuidados importantes ao usar chá de gengibre
O chá de gengibre é preparado com o rizoma de Zingiber officinale e, apesar de ser uma planta amplamente utilizada como alimento e especiaria, o uso medicinal merece alguns cuidados.
A tolerância pode variar conforme a quantidade utilizada, a frequência de consumo e as características individuais.
Entre os possíveis efeitos indesejáveis do gengibre por via oral estão desconforto abdominal, azia, diarreia, irritação da boca ou da garganta, náusea e reações alérgicas. NCCIH
Por isso, preparações excessivamente concentradas não significam maior benefício e podem aumentar o desconforto.
Quem deve ter atenção especial?
Pessoas com alergia ao gengibre não devem utilizar preparações da planta.
Para crianças e adolescentes, as orientações variam conforme a finalidade e a preparação. A monografia europeia não recomenda o uso em menores de 18 anos para várias das indicações medicinais avaliadas, justamente pela falta de dados adequados de segurança e eficácia.
Por isso, o preparo apresentado neste artigo não deve ser automaticamente considerado adequado para crianças.
E durante a gestação?
Este é um ponto que exige nuance.
Há estudos clínicos sugerindo que determinadas preparações de gengibre podem ajudar nas náuseas da gravidez, e o NCCIH considera que suplementos de gengibre podem ser seguros, mas recomenda conversar com o profissional de saúde antes do uso. Também destaca que há pouca informação sobre segurança durante a amamentação. NCCIH
A EMA, porém, adota uma postura mais conservadora para os medicamentos fitoterápicos com rizoma de gengibre e recomenda não utilizar durante a gestação ou amamentação por insuficiência de dados para estabelecer plenamente a segurança.
Por isso, no Benverde, eu seria prudente: gestantes e lactantes não devem usar o chá de gengibre com finalidade medicinal por conta própria, mesmo que o gengibre faça parte normalmente da alimentação.
Pode tomar junto com medicamentos?
Na avaliação atual da EMA, não foram descritas interações medicamentosas específicas na literatura para os medicamentos contendo rizoma de gengibre até o momento da análise.
Isso não significa que qualquer combinação seja automaticamente segura. O NCCIH recomenda que pessoas que utilizam medicamentos conversem com um profissional de saúde antes de usar produtos herbais regularmente, porque possíveis interações dependem da preparação, dose e tratamento em questão.
Essa cautela é especialmente importante quando o gengibre é utilizado em cápsulas, extratos ou suplementos concentrados, que não equivalem a uma xícara de chá.
Quando procurar orientação?
O chá não deve ser usado para mascarar sintomas persistentes.
Náuseas frequentes, vômitos repetidos, dor abdominal importante, alterações persistentes da digestão ou outros sintomas que não melhoram precisam ser investigados adequadamente.
O gengibre pode ocupar seu espaço como alimento, especiaria e preparação tradicional, mas dose, forma de uso e contexto continuam fazendo diferença.
Uso popular × Ciência
O gengibre reúne uma longa tradição de uso e uma quantidade significativa de pesquisas científicas. Entretanto, muitos estudos utilizam pó, cápsulas ou extratos do rizoma, e não necessariamente o chá preparado em casa.
| Uso popular | O que a Ciência diz |
|---|---|
| O gengibre é tradicionalmente utilizado em preparações voltadas ao conforto digestivo, especialmente em situações de distensão, gases e digestão desconfortável. | A monografia europeia reconhece preparações do rizoma como uso tradicional para desconfortos gastrointestinais leves e espasmódicos, incluindo distensão abdominal e flatulência. Isso não significa que o chá tenha eficácia clínica comprovada para todas essas situações. |
| O gengibre também é popularmente utilizado para náuseas e diferentes tipos de enjoo. | Há estudos clínicos relevantes, especialmente sobre náuseas na gravidez. Entretanto, grande parte das pesquisas utilizou suplementos, pó ou outras preparações, e os resultados não podem ser automaticamente atribuídos ao chá de gengibre. |
| Em diferentes tradições, o gengibre é associado à sensação de aquecimento e aparece em preparações consumidas durante períodos frios ou sintomas de resfriado. | O alívio de sintomas do resfriado comum aparece entre os usos tradicionais reconhecidos para determinadas preparações do rizoma. Esse reconhecimento se baseia no longo histórico de utilização e não equivale à comprovação clínica de que o chá trate resfriados. |
| O gengibre também aparece tradicionalmente em preparações utilizadas para desconfortos relacionados ao período menstrual. | Metanálises encontraram redução da intensidade e da duração da dor na dismenorreia primária com preparações de gengibre. Os estudos apresentam limitações e não demonstram que uma xícara de chá seja equivalente às doses e formas utilizadas nas pesquisas. |
Em resumo: o gengibre possui usos tradicionais bem documentados e pesquisas clínicas interessantes, mas rizoma em pó, cápsulas, extratos e chá não são preparações equivalentes. Sempre é necessário verificar qual forma e qual dose foram realmente estudadas.
Perguntas frequentes sobre o chá de gengibre
Chá de gengibre ajuda nas náuseas?
O gengibre é bastante estudado para diferentes tipos de náusea, especialmente as relacionadas à gravidez. Entretanto, a maioria dos estudos utilizou suplementos, pó ou outras preparações do rizoma, e não o chá doméstico. Por isso, os resultados não devem ser automaticamente atribuídos à infusão.
Chá de gengibre é bom para a digestão?
O rizoma de Zingiber officinale possui uso tradicional relacionado ao alívio de desconfortos gastrointestinais leves, como distensão abdominal e flatulência. Isso não significa que o chá trate problemas digestivos persistentes ou substitua uma avaliação adequada.
É melhor usar gengibre fresco ou seco?
O gengibre fresco é muito utilizado em preparações culinárias, mas a referência de preparo apresentada neste artigo utiliza o rizoma seco medido em gramas. Como o material fresco contém mais água, não é adequado substituir diretamente a quantidade seca por fatias ou pedaços sem uma referência específica.
É preciso ferver o gengibre?
No preparo de referência utilizado neste artigo, o rizoma seco é preparado por infusão: a água quente é colocada sobre o gengibre e o recipiente permanece tampado durante alguns minutos antes de coar. Não é necessário usar o sabor picante como medida de concentração.
Pode tomar chá de gengibre todos os dias?
O consumo frequente com finalidade medicinal não deve ser tratado como uma regra geral. Quantidade, duração do uso, motivo do consumo e condições individuais fazem diferença. Sintomas que exigem uso contínuo do gengibre devem ser investigados.
O chá de gengibre pode piorar azia ou desconforto no estômago?
Pode acontecer. Entre os efeitos adversos descritos para preparações orais de gengibre estão desconforto gástrico, eructação, dispepsia, azia e náusea. Pessoas que percebem piora desses sintomas devem interromper o uso e avaliar a causa.
Gestantes podem tomar chá de gengibre?
Existem estudos sobre gengibre para náuseas da gravidez, mas isso não equivale a uma recomendação geral de chá medicinal durante a gestação. A EMA adota uma postura de precaução e considera preferível evitar o uso medicinal na gravidez, enquanto o NCCIH recomenda conversar com o profissional de saúde antes de usar suplementos de gengibre nesse período.
Chá de gengibre pode ser tomado junto com medicamentos?
A monografia europeia atual não descreve interações medicamentosas específicas conhecidas para o rizoma de gengibre. Ainda assim, pessoas que utilizam medicamentos regularmente devem conversar com um profissional de saúde antes de usar produtos de gengibre com finalidade medicinal, especialmente cápsulas, extratos ou suplementos concentrados.
Chá, cápsula e extrato de gengibre têm o mesmo efeito?
Não necessariamente. Chá, rizoma em pó, cápsulas, tinturas e extratos podem fornecer quantidades e perfis diferentes dos compostos da planta. Resultados obtidos em estudos com uma preparação não devem ser automaticamente transferidos para as demais.
Entre tradição, evidência e uso consciente
O chá de gengibre reúne uma longa tradição de uso e um interesse científico que continua crescendo em diferentes áreas, especialmente quando o assunto envolve náuseas e desconfortos digestivos.
Ao longo deste artigo, vimos também que chá, rizoma em pó, cápsulas e extratos não são preparações equivalentes. Muitos dos resultados encontrados em estudos clínicos foram obtidos com formas específicas de gengibre e não devem ser automaticamente atribuídos à xícara preparada em casa.
Isso não diminui o valor do uso tradicional do Zingiber officinale. Apenas ajuda a compreender melhor até onde a evidência já chegou e onde ainda existem limites.
Preparado na quantidade adequada, com atenção às condições individuais e sem substituir investigação ou tratamento quando necessário, o chá de gengibre pode continuar ocupando seu lugar entre as preparações tradicionais feitas com plantas.
Talvez essa seja a forma mais interessante de preservar um costume tão antigo: manter a tradição, mas acrescentar a ela identificação correta, medida precisa, segurança e conhecimento científico.
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