Xícara de chá de espinheira-santa com folhas frescas e folhas secas sobre mesa rústica em ambiente iluminado pela luz natural.

Chá de Espinheira-santa: benefícios, preparo e cuidados

O chá de Espinheira-santa faz parte da tradição fitoterápica brasileira e continua sendo uma das preparações mais conhecidas quando o assunto é o cuidado digestivo. Produzido com as folhas de Monteverdia ilicifolia, ele é tradicionalmente utilizado como auxiliar no alívio de azia, queimação e sintomas relacionados à má digestão.

Durante muito tempo, a espécie foi conhecida cientificamente como Maytenus ilicifolia. Esse nome ainda aparece em embalagens, livros e estudos antigos, embora a classificação botânica aceita atualmente seja Monteverdia ilicifolia.

Apesar da fama de “chá para o estômago”, a Espinheira-santa não deve ser apresentada como cura para gastrite, refluxo ou úlceras. Seu uso exige identificação correta da planta, procedência segura e atenção às contraindicações.

Neste artigo, você aprenderá como preparar o chá de Espinheira-santa, conhecerá seus usos tradicionais, compreenderá o que a ciência já investigou e descobrirá quais cuidados devem acompanhar o consumo.

Chá de Espinheira-santa em poucas palavras

Nome científico: Monteverdia ilicifolia

Sinônimo científico: Maytenus ilicifolia

Parte utilizada: folhas secas corretamente identificadas

Forma de preparo: infusão ou decocção

Uso tradicional reconhecido: auxiliar no alívio de azia e sintomas de má digestão

Sabor: vegetal, levemente amargo e adstringente

Atenção: contraindicado para gestantes, lactantes e menores de 12 anos; o uso em menores de 18 anos não está estabelecido.

A monografia aprovada pela Anvisa em dezembro de 2025 reconhece folhas secas rasuradas para infusão e decocção e classifica a preparação como produto tradicional fitoterápico destinado a auxiliar no alívio de sintomas digestivos, incluindo azia e dispepsia.

O que é o Chá de Espinheira-santa?

O chá é uma preparação aquosa feita principalmente com as folhas secas e fragmentadas da Espinheira-santa.

Na linguagem cotidiana, chamamos de “chá” praticamente qualquer bebida preparada com plantas. Tecnicamente, porém, a preparação pode ser uma infusão ou uma decocção, conforme a maneira como a água e a planta são colocadas em contato.

A monografia da Anvisa reconhece as duas formas para as folhas secas de Monteverdia ilicifolia. A infusão utiliza água quente despejada sobre a planta; na decocção, as folhas permanecem por alguns minutos em água sob aquecimento.

Como preparar o Chá de Espinheira-santa

🍵 Chá de Espinheira-santa por infusão

Ingredientes

  • 2 a 3 g de folhas secas e rasuradas de Espinheira-santa;
  • 150 mL de água.

Modo de preparo

  1. Aqueça a água até o início da fervura.
  2. Desligue o fogo e despeje a água sobre as folhas secas.
  3. Tampe o recipiente durante a infusão.
  4. Coe antes de consumir.

Referência oficial: a monografia da Anvisa descreve 150 mL por dose, de três a quatro vezes ao dia, uma hora antes das principais refeições. Essa informação é uma referência técnica geral e não substitui orientação individualizada.

Preparo artesanal do chá de espinheira-santa utilizando folhas secas, bule de vidro e xícara transparente.

Pesagens em gramas oferecem maior precisão do que colheres, pois o volume ocupado pelas folhas secas pode variar.

A dose descrita pela Anvisa para a infusão é de 2 a 3 gramas de folhas secas em 150 mL de água, até três ou quatro vezes ao dia, uma hora antes das principais refeições. Pessoas que apresentam doenças, utilizam medicamentos ou possuem sintomas persistentes devem conversar com um profissional antes de adotar o uso frequente.

Infusão ou decocção: qual é a diferença?

Infusão

Na infusão, a água quente é despejada sobre as folhas, e o recipiente permanece tampado por alguns minutos. É uma forma muito utilizada para partes mais delicadas das plantas, como folhas e flores.

Para a Espinheira-santa, a monografia atual descreve a proporção de 2 a 3 gramas de folhas secas para 150 mL de água.

Decocção

Na decocção, a planta permanece em água durante o aquecimento. O relatório técnico da Anvisa descreve uma preparação com 1 a 2 gramas de folhas secas em 150 mL de água, fervidas por cinco minutos e mantidas em contato com a água por mais quinze minutos enquanto esfriam.

Como as proporções são diferentes, não se deve utilizar automaticamente a mesma quantidade de folhas para os dois métodos.

Por que é melhor pesar as folhas?

Expressões como “uma colher”, “um punhado” ou “algumas folhas” podem produzir preparações muito diferentes.

Folhas cortadas em pedaços grandes ocupam mais espaço, enquanto folhas finamente trituradas se acomodam em menor volume. Uma colher pode, portanto, conter pesos bastante diferentes.

Uma balança culinária simples permite aproximar a preparação da quantidade descrita nos documentos técnicos. Quando isso não for possível, o mais seguro é seguir as orientações da embalagem de um fornecedor identificado, sem aumentar a concentração por conta própria.

Qual parte da planta deve ser utilizada?

A parte reconhecida nas monografias brasileiras são as folhas.

Embora cascas, raízes e outras partes possam aparecer em receitas populares, elas não devem ser consideradas equivalentes. O relatório de avaliação da Anvisa conclui que não existem dados suficientes para sustentar as mesmas indicações para outras partes da planta.

A utilização das folhas também favorece um manejo mais sustentável, pois a retirada de raízes e grandes partes do caule pode prejudicar ou matar o vegetal.

Folhas frescas ou secas?

A monografia oficial utiliza como referência as folhas secas e rasuradas, isto é, folhas secas cortadas em fragmentos adequados para a preparação.

Folhas frescas apresentam maior quantidade de água, e seu peso não pode ser comparado diretamente ao das folhas secas. Por isso, não é adequado substituir grama por grama sem uma referência específica.

Para o uso doméstico, prefira produtos que apresentem:

  • nome científico;
  • parte da planta utilizada;
  • identificação do fabricante ou fornecedor;
  • lote e validade;
  • orientações de armazenamento;
  • modo de preparo.

A procedência da Espinheira-santa é importante?

Muito. Diferentes plantas podem ser chamadas popularmente de Espinheira-santa, e algumas possuem folhas com aparência semelhante.

Quando as folhas já estão secas e fragmentadas, a identificação visual se torna ainda mais difícil. Por isso, a embalagem deve apresentar o nome Monteverdia ilicifolia — ou o sinônimo Maytenus ilicifolia — e informações claras sobre a procedência.

Não é recomendável colher uma planta silvestre apenas porque suas folhas apresentam margens espinescentes.

Qual é o sabor do Chá de Espinheira-santa?

O chá de espinheira-santa costuma apresentar sabor vegetal, levemente amargo e adstringente. A adstringência é aquela sensação de secura percebida na boca, também encontrada em algumas frutas verdes e bebidas ricas em taninos.

O sabor pode variar conforme:

  • quantidade de folhas;
  • duração da infusão;
  • origem da matéria-prima;
  • armazenamento;
  • tamanho dos fragmentos.

Preparar uma bebida muito concentrada não significa obter um efeito melhor. Concentrações excessivas podem aumentar o amargor e a possibilidade de desconfortos.

Pode adoçar o Chá de Espinheira-santa?

Adoçar ou não é uma escolha pessoal, mas grandes quantidades de açúcar podem dificultar a percepção do sabor natural da planta.

Quando houver orientação nutricional específica, como em casos de diabetes ou restrição de açúcar, ela deve ser respeitada.

Também é melhor evitar combinações complexas com várias plantas medicinais. Cada espécie pode apresentar contraindicações e interações próprias, tornando difícil saber qual delas provocou determinado efeito.

Chá de Espinheira-santa é bom para azia?

O uso como auxiliar no alívio da azia é uma das indicações tradicionais reconhecidas pela Anvisa.

Isso significa que a bebida pode ser utilizada dentro dessa tradição para sintomas leves, respeitando as contraindicações. Não significa, porém, que qualquer episódio de azia deva ser tratado apenas com chá.

Azia frequente pode estar associada a refluxo gastroesofágico, hábitos alimentares, medicamentos ou outras condições. Quando o sintoma se repete, é necessário investigar sua causa.

Chá de Espinheira-santa ajuda na má digestão?

A dispepsia e outros desconfortos digestivos estão entre os principais usos tradicionais da planta.

Entretanto, má digestão pode ocorrer por diferentes razões, como refeições muito volumosas, alimentação rápida, refluxo, alterações gástricas e intolerâncias alimentares.

O chá não deve ser utilizado continuamente para encobrir desconfortos que aparecem depois de praticamente todas as refeições.

Chá de Espinheira-santa trata gastrite?

Não é correto afirmar que o chá de espinheira-santa cure gastrite.

Gastrite é uma inflamação da mucosa do estômago e pode apresentar diferentes causas. Quando existe infecção por Helicobacter pylori, por exemplo, o tratamento costuma exigir medicamentos específicos.

Estudos experimentais com extratos das folhas observaram proteção contra lesões gástricas e redução da secreção ácida em determinados modelos. Esses resultados ajudam a explicar o interesse científico pela planta, mas não comprovam que o chá caseiro cure gastrite em seres humanos.

Chá de Espinheira-santa é bom para refluxo?

Um ensaio clínico publicado em 2024 avaliou cápsulas contendo extrato seco padronizado das folhas em 86 participantes com sintomas de refluxo gastroesofágico.

Após quatro semanas, os grupos que receberam o extrato apresentaram melhora dos sintomas, com resultados preliminares considerados não inferiores aos do grupo que recebeu omeprazol.

Entretanto, o estudo avaliou cápsulas com extrato padronizado, e não o chá preparado em casa. Portanto, os resultados não podem ser transferidos diretamente para a infusão.

O estudo também não autoriza substituir omeprazol ou outro medicamento prescrito sem acompanhamento profissional.

O que a ciência diz sobre o Chá de Espinheira-santa?

A Monteverdia ilicifolia — ainda encontrada em muitos estudos pelo sinônimo Maytenus ilicifolia — vem sendo investigada principalmente por seus possíveis efeitos sobre a secreção gástrica e a proteção da mucosa do estômago.

Os resultados ajudam a compreender por que a planta possui uma longa tradição de uso digestivo, mas as preparações estudadas nem sempre correspondem ao chá feito em casa.

Possível efeito sobre a secreção ácida

Em um estudo experimental publicado em 2004, pesquisadores avaliaram um extrato aquoso liofilizado das folhas de Maytenus ilicifolia em mucosa gástrica isolada de rãs. A preparação reduziu a secreção basal de ácido de maneira dependente da concentração e também diminuiu a secreção estimulada por histamina. Os autores sugeriram possível interferência na resposta mediada por receptores H2 de histamina. 

Esse resultado oferece uma hipótese farmacológica interessante para o uso tradicional da espinheira-santa em sintomas como azia e desconforto digestivo.

Mas trata-se de um experimento em tecido animal isolado, não de um estudo com pessoas tomando chá.

PubMed — extrato aquoso de Maytenus ilicifolia e secreção de ácido gástrico
Abrir estudo no PubMed

Possível proteção da mucosa gástrica

Outra pesquisa particularmente interessante para este artigo começou justamente com uma infusão das folhas de Maytenus ilicifolia.

A partir dessa preparação, os pesquisadores isolaram e purificaram um polissacarídeo do tipo arabinogalactana. Essa substância reduziu lesões gástricas induzidas por etanol em ratos, sugerindo atividade gastroprotetora experimental. 

Esse estudo aproxima a pesquisa da preparação aquosa, mas há uma diferença essencial: os cientistas não ofereceram simplesmente o chá aos animais. A infusão passou por várias etapas de purificação até que uma fração específica fosse isolada.

Portanto:

infusão → fração purificada da infusão → efeito experimental

não é o mesmo que:

beber uma xícara de chá → efeito clínico comprovado.

PubMed — polissacarídeo isolado da infusão de espinheira-santa e proteção gástrica experimental.
Abrir estudo no PubMed

Outros trabalhos em animais também encontraram atividade gastroprotetora com frações ricas em flavonoides das folhas. Em um deles, catequina e epicatequina estavam entre os constituintes identificados, mas a fração foi administrada experimentalmente e não correspondia ao chá doméstico. 

E existem estudos em pessoas?

Sim — e aqui temos uma pesquisa recente bastante interessante.

Em 2024, um ensaio clínico randomizado e duplo-cego incluiu 86 pessoas com sintomas de refluxo gastroesofágico. Os participantes receberam omeprazol ou cápsulas contendo extrato seco padronizado de Monteverdia ilicifolia, nas doses estudadas de 400 ou 860 mg, durante quatro semanas. Os três grupos apresentaram redução dos escores de sintomas, e os autores relataram resultados preliminares compatíveis com não inferioridade do extrato em relação ao omeprazol nas condições do estudo.

É um resultado clínico importante, mas precisa ser interpretado com cuidado:

  • foi um estudo relativamente pequeno;
  • os próprios autores o apresentam como resultado preliminar;
  • os participantes tinham sintomas relacionados à doença do refluxo;
  • foi utilizado extrato seco padronizado em cápsulas;
  • não foi estudado o chá caseiro.

Portanto, esse trabalho não permite concluir que uma infusão de espinheira-santa seja equivalente ao omeprazol ou que possa substituí-lo.

PubMed — ensaio clínico randomizado com extrato padronizado de Monteverdia ilicifolia em sintomas de refluxo.
Abrir estudo no PubMed

O que podemos concluir?

O conjunto das pesquisas oferece mecanismos experimentais plausíveis para o uso digestivo tradicional da espinheira-santa e já existem resultados clínicos interessantes com preparações padronizadas.

Ao mesmo tempo, grande parte das evidências foi produzida com:

extratos → frações isoladas → compostos purificados → cápsulas padronizadas.

Essas preparações não devem ser tratadas como equivalentes a uma infusão doméstica.

Por isso, a conclusão mais equilibrada é:

  • existe uma longa tradição de uso para sintomas digestivos;
  • estudos experimentais sugerem efeitos sobre secreção ácida e proteção da mucosa;
  • há pesquisa clínica recente com extrato padronizado;
  • ainda faltam ensaios clínicos específicos que permitam atribuir esses mesmos resultados ao chá de espinheira-santa preparado em casa.
Xícara de chá de espinheira-santa ao lado de folhas da planta, livro aberto e ambiente iluminado pela luz da manhã.

Quem não deve tomar Chá de Espinheira-santa?

A monografia da Anvisa contraindica a preparação para:

  • gestantes;
  • lactantes;
  • menores de 12 anos;
  • pessoas com alergia à espécie ou a outras plantas da família Celastraceae.

O documento também informa que o uso em menores de 18 anos não está estabelecido, devido à ausência de dados adequados. Assim, crianças e adolescentes não devem consumir a preparação por conta própria.

Chá de Espinheira-santa pode interagir com medicamentos?

Os dados clínicos sobre interações ainda são limitados. Por precaução, a Anvisa recomenda evitar o uso por pessoas que tomam muitos medicamentos simultaneamente.

O documento também chama atenção para possíveis interações com:

  • metotrexato;
  • amiodarona;
  • cetoconazol;
  • esteroides anabolizantes;
  • medicamentos imunossupressores;
  • outros produtos com potencial de afetar o fígado.

A administração concomitante com bebidas alcoólicas e outros medicamentos não é recomendada sem avaliação profissional, devido à falta de estudos suficientes sobre as combinações.

Pessoas com problemas no fígado podem tomar?

Uma pesquisa publicada em 2024 identificou sinais de possível toxicidade hepática em testes laboratoriais com um extrato aquoso da planta. Esses resultados não demonstram que uma xícara ocasional provoque lesão hepática, mas reforçam a necessidade de cautela em pessoas com doenças do fígado.

Quem possui doença hepática, alterações em exames ou utiliza medicamentos que afetam o fígado deve buscar orientação antes do consumo.

Possíveis efeitos adversos

Os efeitos mencionados na monografia incluem:

  • boca seca;
  • alteração do paladar;
  • náusea;
  • desconforto ou dor no estômago;
  • aumento da frequência urinária em alguns participantes de estudos.

Caso surja uma reação inesperada, a orientação é interromper o uso e procurar um profissional de saúde.

Por quanto tempo o Chá de Espinheira-santa pode ser utilizado?

A Anvisa informa que não existem dados concretos capazes de definir o tempo máximo ideal de uso.

O documento menciona 28 dias como duração de um estudo clínico e estabelece que o uso contínuo não deve ultrapassar seis meses, com intervalo de 30 dias antes de uma eventual repetição. Esse limite regulatório não deve ser interpretado como uma recomendação para tomar o chá diariamente durante meses.

Quando os sintomas persistem, pioram ou retornam com frequência, o mais importante é investigar a causa em vez de prolongar o consumo por conta própria.

Quando procurar avaliação médica?

Procure atendimento quando houver:

  • dor intensa ou persistente;
  • azia muito frequente;
  • dificuldade ou dor para engolir;
  • vômitos recorrentes;
  • sangue no vômito ou nas fezes;
  • fezes muito escuras;
  • perda de peso sem explicação;
  • redução importante do apetite;
  • fraqueza ou sinais de anemia;
  • sintomas que pioram apesar dos cuidados.

Esses sinais não devem ser tratados apenas com chás ou produtos naturais.

Chá de Espinheira-santa: tradição, ciência e cuidados

Uso procurado Uso tradicional O que a ciência mostra Cuidados
Azia e queimação É uma das utilizações mais conhecidas da infusão. O uso como auxiliar no alívio da azia é reconhecido em monografia brasileira. Azia recorrente precisa de investigação.
Má digestão O chá é tradicionalmente utilizado para peso e desconforto no estômago. A dispepsia está entre as indicações tradicionais reconhecidas. Sintomas repetidos podem possuir diferentes causas.
Gastrite A planta é historicamente associada ao cuidado do estômago. Estudos experimentais sugerem proteção gástrica, mas não comprovam cura. A causa da gastrite precisa ser diagnosticada.
Refluxo O uso popular relaciona a planta à redução da sensação de acidez. Um ensaio clínico recente apresentou resultados promissores com extrato padronizado, não com o chá doméstico. Não substitua medicamentos prescritos.
Úlceras Existem relatos tradicionais de uso para desconfortos associados. Os principais resultados gastroprotetores ainda são pré-clínicos. Úlceras podem causar sangramentos e outras complicações.
Emagrecimento Pode aparecer em misturas populares chamadas digestivas ou detox. Não há evidência clínica sólida de perda de peso. Não deve ser utilizado com essa finalidade.

Perguntas frequentes sobre o Chá de Espinheira-santa

Qual é a espécie utilizada no chá de espinheira-santa?

A espécie de referência é Monteverdia ilicifolia (Mart. ex Reissek) Biral. O nome Maytenus ilicifolia, muito encontrado em estudos e publicações anteriores, é um sinônimo botânico da mesma espécie. A parte utilizada medicinalmente são as folhas.

Para que serve o chá de espinheira-santa?

A espinheira-santa possui uso tradicional reconhecido como auxiliar no alívio de sintomas digestivos, especialmente azia e dispepsia. Isso não significa que a planta trate todas as doenças do estômago nem substitua a investigação de sintomas persistentes.

Infusão e decocção de espinheira-santa são preparadas da mesma maneira?

Não. A monografia atual descreve preparações diferentes. Para a infusão, utiliza de 2 a 3 g de folhas secas rasuradas em 150 mL de água. Para a decocção, utiliza de 1 a 2 g em 150 mL. As quantidades e os horários de uso também são diferentes.

Chá de espinheira-santa pode ser tomado depois das refeições?

Depende da preparação. A referência atual orienta a infusão de 2 a 3 g em 150 mL antes das principais refeições. Já a decocção de 1 a 2 g em 150 mL é utilizada duas horas após o almoço e à noite. Por isso, não é adequado aplicar o mesmo horário a preparações diferentes.

Posso tomar chá de espinheira-santa todos os dias?

A monografia descreve doses diárias para o uso medicinal, mas isso não significa que a bebida deva ser consumida indefinidamente. Se azia, dor, empachamento ou outros sintomas digestivos persistirem ou voltarem com frequência, a causa deve ser investigada.

Chá de espinheira-santa cura gastrite?

Não é correto apresentar o chá como cura ou tratamento da gastrite. A indicação tradicional reconhecida está relacionada ao alívio de sintomas digestivos, como azia e dispepsia. Gastrite pode ter diferentes causas e necessita de diagnóstico e tratamento adequados.

Chá de espinheira-santa emagrece?

Não há evidência clínica suficiente para atribuir à espinheira-santa um efeito relevante de emagrecimento. Essa finalidade também não faz parte das indicações tradicionais reconhecidas para a planta.

Gestantes e lactantes podem tomar chá de espinheira-santa?

Não. O uso medicinal é contraindicado durante a gestação e a lactação. A avaliação de segurança também aponta preocupação com possíveis efeitos sobre a gestação e com redução da produção de leite.

Crianças podem tomar chá de espinheira-santa?

O uso medicinal não é recomendado para crianças menores de 12 anos por falta de dados adequados de segurança. Para crianças e adolescentes, o consumo com finalidade terapêutica não deve ser iniciado por conta própria.

A espinheira-santa pode causar efeitos adversos?

Sim. Foram relatados efeitos como náusea, boca seca e alteração do paladar. Pessoas com alergia à espinheira-santa ou a outras espécies da família Celastraceae também não devem utilizar preparações da planta.

Chá de espinheira-santa pode interagir com medicamentos?

Existem dados laboratoriais indicando que alguns componentes da espinheira-santa podem interferir em sistemas envolvidos no metabolismo e no transporte de medicamentos. A relevância clínica dessas interações ainda não está totalmente definida, mas pessoas que utilizam vários medicamentos devem procurar orientação profissional antes do uso medicinal frequente.

Conheça a trilogia da Espinheira-santa

Explore a planta por meio da botânica, dos usos tradicionais e do preparo do chá.

Conclusão

O Chá de Espinheira-santa é uma das preparações mais conhecidas da fitoterapia tradicional brasileira. Produzido com as folhas de Monteverdia ilicifolia, ele atravessou gerações associado ao cuidado com azia, queimação, má digestão e outros desconfortos do sistema digestivo.

Estudos experimentais ajudam a compreender a relação da planta com a secreção ácida e a proteção da mucosa gástrica. Pesquisas clínicas recentes com extratos padronizados também apresentaram resultados promissores, mas esses dados não devem ser confundidos com a comprovação de que o chá doméstico cure gastrite, refluxo ou úlceras.

Preparar o Chá de Espinheira-santa com responsabilidade significa utilizar folhas corretamente identificadas, respeitar as quantidades recomendadas e reconhecer situações em que o consumo não é indicado. Gestantes, lactantes, menores de idade, pessoas polimedicadas e indivíduos com doenças do fígado precisam de atenção especial.

No Benverde, acreditamos que cada xícara pode ser também um convite ao conhecimento. Quando tradição, ciência e cuidado caminham juntas, os saberes sobre as plantas medicinais permanecem vivos sem perder de vista seus limites, sua segurança e o profundo respeito que a natureza merece.

Herbarium Benverde – Coleção Saberes do Brasil
Entre folhas, memórias e raízes, preservamos o conhecimento que atravessa gerações.

Este conteúdo possui caráter informativo e educacional. Não substitui orientação médica, diagnóstico ou tratamento profissional.

Explore também os portais Benverde

Descubra conteúdos sobre plantas medicinais, chás tradicionais, alimentação saudável e um estilo de vida conectado à natureza.

🌿 Plantas que Transformam 🍵 Chás que Acolhem ✨ Estilo de Vida que Inspira

Compartilhe este conteúdo 🌿

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *