Chá de melissa com folhas frescas e secas em xícara sobre mesa de madeira em ambiente natural

Chá de melissa: para que serve, como fazer e cuidados

Há dias em que desacelerar parece mais difícil. A rotina termina, mas os pensamentos continuam circulando e o descanso demora a chegar. Nesses momentos, preparar uma infusão pode se transformar em um pequeno ritual de transição — e o chá de melissa é uma das bebidas tradicionalmente associadas a essa pausa.

Preparado com as folhas de Melissa officinalis, conhecida como melissa ou erva-cidreira verdadeira, esse chá possui aroma delicadamente cítrico e uma longa história de utilização na tradição herbal europeia.

Seus usos tradicionais estão relacionados principalmente ao alívio de sintomas leves de estresse, ao auxílio ao sono e a desconfortos digestivos leves, como distensão abdominal e gases. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) reconhece esses usos com base na longa tradição de utilização da planta, deixando claro que isso não equivale a dizer que todos estejam comprovados por ensaios clínicos de alta qualidade.

Essa diferença é especialmente importante quando falamos em chá: muitos estudos científicos modernos sobre a melissa utilizam extratos padronizados, cuja concentração e composição são diferentes das de uma infusão preparada em casa.

Neste artigo, vamos entender para que serve o chá de melissa, como prepará-lo, o que tradição e ciência indicam e quais cuidados devem acompanhar seu consumo.

Resumo rápido: chá de melissa

Planta Melissa officinalis L.
Parte utilizada Folhas
Tipo de preparo Infusão
Referência técnica 1,5 a 4,5 g de folhas secas fragmentadas para 150 mL de água
Usos tradicionais Sintomas leves de estresse, auxílio ao sono e desconfortos digestivos leves
Evidência científica A maior parte dos estudos clínicos utiliza extratos específicos; os resultados não devem ser automaticamente atribuídos ao chá doméstico
Faixa etária na monografia da EMA Adolescentes acima de 12 anos, adultos e idosos
Atenção Gestação, lactação, crianças e algumas condições ou tratamentos requerem orientação profissional

Importante: chá, tintura e extratos de melissa não são preparações equivalentes e podem apresentar concentrações diferentes.

🌿 O que é a melissa?

A melissa (Melissa officinalis) é uma planta aromática da família Lamiaceae, conhecida também como erva-cidreira verdadeira.

Suas folhas são verdes, relativamente largas, de superfície levemente enrugada e margens crenadas. Quando tocadas ou amassadas, liberam um aroma fresco e cítrico característico.

São principalmente essas folhas que aparecem nas preparações tradicionais em forma de infusão.

Apesar do nome popular, a Melissa officinalis não deve ser confundida com o capim-cidreira (Cymbopogon citratus) nem com a cidreira-brasileira (Lippia alba).

As três plantas podem compartilhar notas aromáticas cítricas e alguns usos populares semelhantes, mas pertencem a espécies diferentes.

Por isso, ao adquirir folhas secas para preparo, uma boa prática é procurar no rótulo o nome científico: Melissa officinalis.

Melissa officinalis crescendo em ambiente natural com folhas verdes iluminadas pelo sol

🌿 Para que serve o chá de melissa?

A folha de melissa possui longa tradição de uso em preparações destinadas principalmente a três situações:

  • sintomas leves de estresse mental;
  • auxílio ao sono;
  • desconfortos gastrointestinais leves, especialmente distensão abdominal e gases.

Esses usos são reconhecidos pela monografia da EMA como uso medicinal tradicional, isto é, fundamentado principalmente na longa experiência de utilização da planta.

Isso não significa que a infusão esteja comprovada como tratamento para ansiedade, insônia ou doenças digestivas.

É mais correto compreender o chá de melissa como uma preparação tradicional cujo uso continua sendo estudado.

🌙 Chá de melissa ajuda a dormir?

O consumo da melissa antes do repouso possui longa tradição.

A EMA inclui o auxílio ao sono entre os usos tradicionais da folha de Melissa officinalis. Entretanto, a própria avaliação europeia observa que as conclusões se apoiam principalmente no uso tradicional, pois as evidências clínicas disponíveis não foram suficientes para estabelecer eficácia clínica de maneira definitiva.

Existem estudos mais recentes que apresentaram resultados interessantes.

Em 2024, um ensaio prospectivo, duplo-cego, controlado por placebo e cruzado encontrou melhora em determinados indicadores de sono após a utilização de um preparado de Melissa officinalis. Mas há um detalhe fundamental: o produto utilizado era um extrato altamente padronizado formulado para aumentar a biodisponibilidade de seus componentes, e não chá de melissa.

Portanto, esse resultado não pode ser transferido diretamente para uma xícara de infusão caseira.

A maneira mais responsável de interpretar as evidências atuais é dizer que existe interesse científico sobre a melissa e o sono, enquanto o uso específico da infusão permanece sustentado principalmente pela tradição.

Fonte direta do estudo:
PubMed — estudo clínico de 2024 sobre Melissa officinalis e qualidade do sono

🌿 Chá de melissa, estresse e ansiedade

A associação da melissa com tranquilidade e situações de tensão também atravessa séculos.

Na literatura científica moderna existem ensaios clínicos e revisões que investigam Melissa officinalis em sintomas relacionados ao estresse e à ansiedade.

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2021 encontrou resultados favoráveis nos escores de ansiedade entre os estudos analisados. Os autores, entretanto, destacaram limitações importantes, como pequeno número de ensaios, diferenças metodológicas e elevada heterogeneidade.

Uma revisão mais recente, publicada em 2026, observa que os sinais clínicos mais consistentes encontrados na literatura envolvem principalmente desfechos relacionados a ansiedade/estresse e sono, mas também ressalta a necessidade de preparações quimicamente bem caracterizadas e estudos mais robustos.

Mais uma vez, é importante observar que muitos desses estudos utilizaram extratos ou outras preparações específicas, não necessariamente infusão.

Por isso, o chá de melissa não deve ser apresentado como tratamento para transtornos de ansiedade.

Em casos de ansiedade intensa, recorrente ou que interfira na rotina, buscar avaliação profissional é mais adequado do que depender exclusivamente de uma planta medicinal.

Fonte direta:
PubMed — revisão sistemática e meta-análise sobre Melissa officinalis e ansiedade

🍃 E para o conforto digestivo?

O uso digestivo da melissa costuma receber menos atenção que sua associação ao relaxamento, mas também faz parte de sua tradição medicinal.

A monografia europeia registra seu uso tradicional para queixas gastrointestinais leves, incluindo distensão abdominal e flatulência.

Aqui a distinção entre tradição e comprovação científica é especialmente importante.

O reconhecimento regulatório europeu se baseia principalmente no histórico de uso da planta, e não em um grande conjunto de ensaios clínicos demonstrando que o chá trate problemas digestivos.

Desconfortos persistentes, dores, alterações intestinais frequentes ou sintomas intensos devem ser avaliados por um profissional de saúde, pois podem possuir causas que não devem ser mascaradas pelo uso repetido de uma infusão.

🌿 Chá de melissa: tradição × evidência científica

Uso procurado Uso tradicional O que sabemos atualmente
Estresse leve A infusão é tradicionalmente utilizada em momentos de tensão e inquietação leve. O uso é reconhecido pela EMA com base na tradição. Estudos clínicos apresentam resultados promissores, mas frequentemente utilizam extratos específicos em vez do chá doméstico.
Auxílio ao sono Tradicionalmente consumida antes do repouso. A EMA reconhece o uso tradicional. Estudos com extratos padronizados apresentam resultados interessantes, mas não devem ser automaticamente extrapolados para a infusão.
Ansiedade A melissa possui longa associação tradicional com tranquilidade e calma. Revisões de estudos clínicos sugerem resultados promissores com determinadas preparações, mas o chá não deve ser apresentado como tratamento para transtornos de ansiedade.
Desconforto digestivo Tradicionalmente utilizada para distensão abdominal, gases e desconfortos digestivos leves. O uso consta em monografias fitoterápicas principalmente com base na longa tradição; a evidência clínica específica para a infusão é limitada.

🌿 Como preparar o chá de melissa

O chá de melissa é preparado por infusão, método adequado para partes mais delicadas da planta, como folhas.

Como referência técnica, a monografia da EMA descreve a preparação da infusão com 1,5 a 4,5 g da folha seca e fragmentada para 150 mL de água fervente. Essa orientação aparece para adolescentes acima de 12 anos, adultos e idosos.

Ingredientes

  • 1,5 a 4,5 g de folhas secas e fragmentadas de Melissa officinalis
  • 150 mL de água

Modo de preparo

  1. Aqueça a água até a fervura.
  2. Coloque as folhas de melissa em uma xícara ou recipiente apropriado.
  3. Despeje a água quente sobre as folhas.
  4. Tampe o recipiente durante a infusão.
  5. Aguarde alguns minutos.
  6. Coe antes de consumir.

A infusão pode ser tomada sem adoçar, permitindo perceber melhor o aroma naturalmente cítrico da planta.

🌿 Por que usar gramas em vez de “uma colher”?

Folhas secas podem apresentar cortes, tamanhos e graus de compactação diferentes.

Uma colher cheia de folhas muito fragmentadas pode conter uma quantidade bastante diferente de outra colher preenchida com folhas maiores.

Por isso, quando buscamos maior precisão em conteúdos sobre plantas medicinais, a medida em gramas é mais adequada do que a medida doméstica em colher.

A EMA descreve ainda, em sua monografia, a possibilidade de uso da infusão de 1 a 3 vezes ao dia dentro das indicações tradicionais previstas no documento. Isso é uma referência regulatória geral e não substitui orientação individualizada.

🌿 Chá, extrato e outras preparações são equivalentes?

Não.

Essa distinção é uma das mais importantes para interpretar corretamente informações sobre plantas medicinais.

A Melissa officinalis pode ser encontrada em diferentes formas, entre elas:

  • folhas secas para infusão;
  • pó da planta;
  • tintura;
  • extrato líquido;
  • extratos secos.

A própria monografia da EMA descreve essas preparações separadamente, com proporções e formas de utilização distintas.

Um extrato padronizado pode concentrar determinados compostos da planta de maneira muito diferente de uma infusão doméstica.

Por isso, quando um estudo utiliza 200 mg, 400 mg ou determinada quantidade de um extrato específico, não é correto simplesmente converter esse valor para “x gramas de folhas” ou afirmar que o chá produzirá o mesmo resultado.

Essa diferença explica por que alguns estudos sobre melissa podem ser cientificamente interessantes sem constituírem, ao mesmo tempo, evidência direta sobre o chá de melissa.

Diferentes preparações de Melissa officinalis com folhas frescas, folhas secas, chá, extrato seco, tintura e pó da planta.

🍵 O ritual também faz parte da experiência

Nem tudo o que envolve uma xícara de chá precisa ser explicado como efeito farmacológico da planta.

Aquecer a água, esperar alguns minutos pela infusão e beber lentamente pode criar uma pausa dentro de um dia corrido.

Uma luz mais suave, menos estímulos ao redor e alguns minutos longe das tarefas também podem transformar aquele intervalo em um momento diferente da rotina.

Isso não significa que o ambiente aumente a ação medicinal da melissa.

Significa apenas que o ritual e a planta pertencem a dimensões diferentes da mesma experiência.

Uma diz respeito às características e aos compostos da espécie.

A outra pertence ao cotidiano: à temperatura da xícara, ao aroma que se espalha, ao tempo reservado para sentar-se e à decisão de interromper por alguns minutos aquilo que poderia continuar esperando.

No Portal Chás que Acolhem, há espaço para as duas coisas.

Para a ciência que pergunta.

E para o ritual que simplesmente acompanha.

⚠️ Quando evitar ou ter cuidado com o chá de melissa

A segurança durante a gravidez e a amamentação não está estabelecida. Na ausência de dados suficientes, a EMA não recomenda o uso nessas situações.

Tireóide

Estudos in vitro e em animais indicaram que extratos aquosos de Melissa officinalis podem interferir na atividade relacionada ao hormônio estimulante da tireoide, o TSH.

A própria EMA ressalta que a relevância clínica desse achado é desconhecida.

Por precaução, pessoas com doenças da tireoide ou que utilizem medicamentos relacionados à função tireoidiana podem conversar com um profissional de saúde antes do uso frequente da planta.

Direção e operação de máquinas

A monografia também alerta que preparações de melissa podem comprometer a capacidade de dirigir ou operar máquinas. Pessoas que percebam sonolência ou redução do estado de alerta após o consumo não devem realizar essas atividades.

Medicamentos e interações

É importante não afirmar interações específicas como se já estivessem comprovadas: na monografia europeia, a seção de interações registra que não há dados disponíveis suficientes.

Quem utiliza medicamentos de uso contínuo — especialmente aqueles capazes de provocar sonolência — deve buscar orientação profissional quando houver dúvida sobre a combinação.

Sintomas persistentes

A EMA orienta procurar avaliação profissional quando os sintomas persistirem por mais de duas semanas durante o uso ou caso piorem.

No Brasil, o Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira é outra referência oficial importante. Sua 3ª edição, aprovada em maio de 2026, está vigente desde 1º de julho de 2026.

Anvisa — Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira

🌿 Melissa, capim-cidreira e Lippia alba são a mesma planta?

Não.

Essa é uma dúvida bastante comum porque diferentes espécies recebem popularmente nomes como cidreira ou erva-cidreira.

A Melissa officinalis apresenta folhas relativamente largas, opostas, com margens crenadas e pequenas flores claras.

O Cymbopogon citratus, conhecido como capim-cidreira, possui folhas muito longas e estreitas e aspecto típico de uma gramínea.

Já a Lippia alba, frequentemente chamada de cidreira-brasileira, é outra espécie aromática, também botanicamente diferente das duas anteriores.

As três podem apresentar aromas cítricos e compartilhar alguns usos populares, mas não são intercambiáveis apenas porque recebem nomes semelhantes.

Por isso, ao comprar uma planta medicinal ou folhas secas, observar o nome científico é uma medida simples que ajuda a evitar confusões.

Comparação entre Melissa officinalis, capim-cidreira Cymbopogon citratus e cidreira-brasileira Lippia alba.

Perguntas frequentes sobre o chá de melissa

Para que serve o chá de melissa?
A infusão de Melissa officinalis possui uso tradicional principalmente para sintomas leves de estresse, auxílio ao sono e desconfortos digestivos leves, como distensão abdominal e gases. Esses usos tradicionais não devem ser confundidos com tratamento comprovado para ansiedade, insônia ou doenças digestivas.
Como preparar o chá de melissa?
Como referência técnica, a monografia da European Medicines Agency descreve a infusão preparada com 1,5 a 4,5 g de folhas secas e fragmentadas de Melissa officinalis para 150 mL de água fervente. O recipiente deve permanecer tampado durante a infusão e o chá deve ser coado antes do consumo.
Chá de melissa ajuda a dormir?
O auxílio ao sono faz parte do uso tradicional reconhecido para a folha de Melissa officinalis. Existem pesquisas clínicas promissoras sobre melissa e sono, mas muitos estudos utilizam extratos padronizados, e seus resultados não podem ser automaticamente atribuídos à infusão doméstica.
Chá de melissa é igual ao chá de capim-cidreira?
Não. Melissa officinalis e Cymbopogon citratus são espécies botanicamente diferentes. Embora ambas possam receber nomes populares relacionados a “cidreira” e apresentem aromas cítricos, possuem características e composição próprias.
Quem deve evitar ou ter cuidado com o chá de melissa?
O uso não é recomendado pela monografia europeia para crianças menores de 12 anos nem durante gestação e lactação pela insuficiência de dados. Pessoas com alterações da tireoide, que utilizem medicamentos regularmente ou que percebam sonolência também devem ter atenção e buscar orientação profissional quando necessário.

Conheça a trilogia da Melissa officinalis

Explore a planta por meio da botânica, dos usos tradicionais e do preparo do chá.

🌿 Uma pausa possível

Talvez você não precise resolver tudo agora.

Talvez baste criar alguns minutos de pausa no meio do dia, permitindo que o ritmo diminua e que a atenção retorne ao presente.

Preparar uma xícara de chá de melissa pode fazer parte desse pequeno intervalo. Não como promessa de resolver aquilo que incomoda, mas como um gesto simples e consciente dentro da rotina.

A tradição guardou essa planta durante gerações. A ciência continua fazendo perguntas sobre ela. Entre uma coisa e outra, existe algo muito cotidiano: água quente, algumas folhas e alguns minutos de espera.

Há momentos em que uma bebida quente é apenas uma bebida quente — e ainda assim pode representar um espaço reservado a nós mesmos.

No Benverde, acreditamos que conhecer uma planta também significa compreender seus limites.

Porque cuidar não é esperar que a natureza resolva tudo.

É aprender a aproximar-se dela com curiosidade, respeito e consciência.

Este conteúdo possui caráter informativo e educacional. Não substitui orientação médica, diagnóstico ou tratamento profissional.

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