Rituais de cura:
Antes de qualquer palavra, havia a floresta.
Antes de qualquer remédio, havia o espírito da planta.
Para os povos maias, curar nunca foi apenas tratar o corpo, era restabelecer a harmonia entre o ser humano, a terra e os deuses que habitam cada folha, raiz e sopro de vento.
A medicina como caminho sagrado nos rituais de cura dos maias
Na cosmovisão dos povos maias, a saúde estava profundamente ligada ao equilíbrio entre o ser humano, a natureza e as forças espirituais do cosmos. A doença não era vista apenas como um desequilíbrio físico, mas como um desalinhamento entre:
Corpo
Emoções
Espírito
Forças da natureza
Ciclos do tempo
O curandeiro, chamado ah-men ou h-men, era guardião desse equilíbrio. Ele não apenas conhecia as plantas: ele conversava com elas.
Cada ritual de cura começava com oferendas, incenso de copal, cantos e invocações aos quatro pontos cardeais, pedindo permissão aos espíritos da floresta para colher e usar seus remédios.
Rituais de Cura dos povos maias: plantas sagradas e seus significados
Estudos de etnobotânica mesoamericana mostram que muitas das plantas usadas nos rituais de cura maias continuam sendo reconhecidas hoje por seus efeitos medicinais e espirituais.
Entre as mais reverenciadas estavam:
Cacau – alimento dos deuses, usado em rituais de vitalidade e abertura do coração
Copal – resina sagrada para purificação e proteção espiritual
Tabaco – planta de comunicação com o mundo invisível
Ceiba – a árvore do mundo, eixo entre céu, terra e submundo
Ervas amargas e raízes medicinais – para limpeza energética e física
Cada planta era considerada um ser consciente, com espírito próprio e missão de cura.
Os rituais de cura como ponte entre mundos
Os rituais de cura aconteciam em círculos, muitas vezes ao redor do fogo, símbolo do sol e da renovação. O paciente era envolvido por:
Defumações
Banhos de ervas
Unções com óleos
Orações em língua ancestral
Ritmos de tambor e maracás
Não se tratava apenas de “tomar um chá”, mas de reintegrar a pessoa ao fluxo da vida.
O calendário sagrado e o tempo da cura
Para os povos maias, a cura não acontecia fora do tempo, ela acontecia no tempo certo. O universo era regido por ciclos precisos, e cada dia possuía uma energia espiritual própria, registrada no calendário sagrado Tzolk’in, composto por 260 dias.
Cada data era associada a um nahual, uma força espiritual que influenciava o corpo, a mente e o destino das pessoas. Assim, um ritual de cura não era marcado ao acaso: ele era realizado no dia em que as energias favoreciam a restauração, o perdão, a liberação de doenças ou o fortalecimento da alma.
O curandeiro observava:
a posição do sol
as fases da lua
o dia no Tzolk’in
os sinais da natureza (vento, pássaros, sonhos, presságios)
Acreditava-se que as plantas também respondiam a esses ciclos. Uma mesma erva colhida em dias diferentes podia ter força espiritual distinta. Por isso, o ato de colher era acompanhado de orações, oferendas e pedidos de permissão à Mãe Terra.
Nesse entendimento, a cura não era apenas uma técnica, mas uma dança com o tempo cósmico. O ser humano se alinhava ao pulso do universo, permitindo que o remédio não agisse só no corpo, mas também no espírito e no destino.
Esse saber nos lembra, ainda hoje, que:
Há momentos de semear,
momentos de esperar,
e momentos de colher a cura.
Quando o ritual respeita o tempo sagrado, a planta não é apenas planta, ela se torna mensageira da ordem invisível que sustenta a vida.
Rituais de Cura: o tempo, a lua e a colheita
Nada era feito fora do ritmo cósmico.
A colheita de uma planta dependia da:
Fase da lua
Posição do sol
Dia no calendário sagrado Tzolkin
Acreditava-se que cada momento carregava uma energia específica, e usar uma planta no tempo errado poderia enfraquecer seu poder espiritual.
Rituais de cura: sabedoria que ainda pulsa
Mesmo após séculos de colonização, perseguições e silenciamento, essa medicina viva permanece nos povos maias contemporâneos da Guatemala, México, Belize e Honduras.
Ela nos lembra que:
Curar é lembrar quem somos na teia da vida.
E que toda planta é um espírito disposto a nos ajudar — se soubermos escutar.
Um convite aos Portais do Benverde
Assim como os antigos maias compreendiam que a cura nasce da escuta profunda da natureza, também nós somos convidados a reencontrar, em nosso tempo, esse saber que une corpo, espírito e Terra.
Se este ritual despertou em você a memória das plantas como mestras e guardiãs, permita-se continuar a jornada pelos caminhos do Benverde:
🌱 Plantas que Transformam – onde cada folha conta uma história de cura e ciência.
🍵 Chás que Acolhem – onde infusões, rituais e narrativas aquecem o coração.
🌿 Estilo de Vida que Inspira – onde o cotidiano se torna mais consciente, leve e conectado à natureza.
Que cada portal seja uma nova fogueira acesa,
cada texto um sopro de sabedoria,
e cada planta, uma ponte viva entre você e a essência da vida.
Benverde é um espaço dedicado ao cuidado natural, às plantas medicinais e aos chás como forma de presença no cotidiano. O conteúdo é construído a partir de saberes tradicionais, observação consciente e pesquisa responsável, valorizando o uso cuidadoso das plantas e o respeito aos limites do corpo.